U.T.I 1.4


Enquanto aguardava a vaga do leito na UTI junto com o meu marido entra o enfermeiro trazendo a minha nova vestimenta, uma camisola e pedindo para colocar todos os meus pertences numa sacola plástica do hospital, incluindo brincos e a minha aliança.

Não queria tirar a minha aliança, perguntei se poderia ficar com ela e a resposta foi não. Tinha que adentrar na UTI como vim ao mundo sem nada material e a aliança pra mim é o símbolo do elo que une eu ao meu marido e tirá-la foi um desnude da minha alma, mas que fiz sem me impor.

Logo, me levaram deitada pelos corredores do hospital para o quarto andar, eu olhando as luminárias que passavam acima de mim e imaginei a situação que me encontrava, como nos filmes aliás, as luzes passando e o medo me corroendo até que as portas se abrem.

Chego ao lado do meu leito que ficava a frente do posto de enfermagem, passei da maca para a cama hospitalar e rapidamente fui apresentada ao técnico de enfermagem, que me instrui sobre algumas coisas e pediu licença para que conectar aos cabos que ficariam ligados a mim o tempo todo.

Não me lembro da UTI, pois a última vez que fiquei eu era uma bebê e só a minha mãe poderia escrever exatamente como foi ao me ver lá. Então era tudo novo pra mim, acreditava que eu poderia me levantar para ir ao banheiro, essas coisas que normalmente fazemos quando estamos nos sentindo bem e eu estava melhor, sem dores e sem falta de ar, apesar do diagnóstico grave.

Meu marido ficou comigo este tempo até a conexão dos cabos e logo o técnico informou que ele precisaria se retirar, informando os dois únicos horários por dia para visita. Ele se despediu com um beijinho e foi a caminho da porta de saída e me pus a chorar quando ele olhou pra trás pela última vez naquela noite.

Agora estava só novamente, chorei pensando nos meus filhos, no meu marido, na minha família, como tudo era bom, não sabia o que aconteceria comigo e pedi a Deus para que me deixasse viver, me desce uma nova chance, mas também pedi para que ele fizesse a sua vontade independente da minha, pois sabia que aquele estado em que me encontrava foi consequência de uma escolha errada que eu mesma fiz. Como pude desobedecer a Deus e não ouvir a igreja sobre os anticoncepcionais? Como pude, eu católica e ainda por cima catequista ter seguido o caminho contrário, me fechando a vida e agora estava ali a beira da morte? Pedi perdão!

Naquele momento entreguei tudo o que eu tinha à Deus, o meu corpo e a minha alma para que ele agisse da maneira que quisesse e após esta entrega me senti leve e em paz. O medo se esvarou assim como as minhas lágrimas.

Deus foi tão bom comigo que a única dor terrível que senti durante a minha estadia na UTI foi um novo exame de sangue que tinha que ser realizado novamente por meio da minha artéria no pulso esquerdo e que foi feito com dificuldade. Após choro e tremores, o médico da UTI foi ao meu leito para verificar o meu estado.

Este mesmo médico no dia seguinte foi conversar comigo junto ao técnico de enfermagem que me acompanhava e perguntou o que eu sentia antes de ir para o hospital. Expliquei e ele comentou que o meu diagnóstico foi um ACHADO! Disse que infelizmente entra na UTI vários casos de embolia pulmonar, AVC e infarto ocasionados pelo uso de anticoncepcionais, que no último ano foram por volta de 30 casos só naquele hospital. Quando ele afirmou isso, perguntei por que ninguém faz nada para impedir que novos casos aconteçam, porque nunca sai nada na mídia e o governo? Ele simplesmente fez um gesto de negação com a cabeça e olhou para o chão com um olhar perdido.

Foram três dias que demoraram muito para passar, no terceiro dia saiu os resultados dos meus exames, os exames genéticos que eu ainda não conhecia muito bem, mas eram fundamentais para saber se eu corria risco de ter novos trombos e assim agravar o quadro. O médico da UTI informou que todos deram negativos, meu estado era bom e que já poderia ter alta para que o tratamento fosse continuado ainda no hospital, porém no quarto. Fiquei muito feliz, se sairia da UTI é porque tudo estava caminhando bem.

Consegui permissão então para levantar e pude tomar banho. Fui com auxilio, tudo conforme os padrões, deu tudo certo e no final da tarde tive novamente a alegria da visita do meu marido, que esteve presente em todas elas, fez questão de estar ali para ver como eu estava, o que aconteceria e conversar comigo, além da visita da minha mãe querida que esteve junto com ele no segundo dia e nos demais ficou cuidando dos nossos filhos pra gente.

Meu marido maravilhoso e companheiro me acompanhou durante a alta e fiquei muito feliz em sair por aquela porta com ele! Eu na cadeira de rodas e ele caminhando, pedi para ir andando, mas não deixaram. Aliviada, queria ver meus filhos! Agradecia a cada suspiro à Deus por minha vida, pelo meu marido e por minha família!


Simone Vasconcelos Fator

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