Vida x Morte 1.5

Fiquei os próximos seis dias internada no andar de cima da maternidade, logo em frente ao vão que dava vista ao berçário.

No primeiro dia em que sai da U.T.I, após a vinda dos médicos que continuariam cuidado de mim, recebi orientação dos fisioterapeutas para andar pelos corredores do hospital para que o sangue circulasse, possibilitando assim a minha recuperação, além dos demais cuidados com remédios e exames diários que seriam realizados.

Após uma das minhas caminhadas, parei em frente ao meu quarto e me debrucei para ver os recém nascidos que estavam confortáveis em seus bercinhos aquecidos. Lembro-me da felicidade dos parentes que ali estavam. Fotos, risos, mães com suas camisolas caminhando para ver os cuidados que estavam dando aos seus filhos no bercário. Flores sendo carregadas para dar as boas vindas nos apartamentos das mamães que acabaram de dar a luz aos bebês delicados e iluminados que eu via através daquele vidro.

Naquele momento lembrei da minha estadia na maternidade, tive o privilégio de estar nela duas vezes para ver nascer os meus dois filhos adoráveis. Como foi bom! Uma alegria sem igual, um sentimento que transcende toda a descrição. Como eu poderia descrever o momento do nascimento de um filho, que é o mesmo quando de fato nos tornamos mães? Abençoado, mágico, sublime, amor, vida? Talvez poderia ser tudo isso e mais um pouco, é algo inexplicável que só sendo mãe para saber e saborear tão perfeito momento na vida de uma mulher.

Olhei pra mim e comecei a chorar! Daria tudo para estar ali novamente e me vi não no corredor da VIDA, onde os bebês nascem e a alegria acontece. Eu estava agora no corredor da MORTE, por minha culpa, minha tão grande culpa!

Como pude deixar de ouvir a o que a minha igreja diz em relação aos anticoncepcionais? Seguia firme na fé, mas tropecei neste degrau mundano. Acreditei mais no que os outros disseram pra mim a respeito dos anticonceptivos, na facilidade para impedir a geração de filhos do que no Deus de todo o Universo que sempre oferece o melhor caminho e o mais seguro para cada um de nós. Usando optei em bloquear de forma artificial e arriscada o caminho da vida dentro do meu corpo e do meu matrimônio que tem o propósito contrário disso, para seguir em frente num caminho escuro que eu mesma não enxergava o quanto era escuro.

Ali estava eu, voltando da morte com a graça e a misericórdia do Senhor e me sentia culpada, muito culpada por ter errado tanto. Ainda não sabia muito sobre o veneno que eu tomava diariamente com prescrição do meu médico ginecologista, mas sabia que eu poderia ter morrido na hora em que senti a dor forte no peito, poderia ter tido uma morte súbita e Deus com certeza havia me salvado e foi com o passar do tempo que a verdade aos poucos foi sendo apresentada pra mim.

No hospital, além de ser uma paciente, pude refletir sobre toda a minha vida e tentar de alguma forma entender o propósito de tudo o que eu havia passado. Não imaginava e não tinha ideia do que Deus queria me ensinar com tudo aquilo e o que aconteceria nos dias seguintes. Neste período me apegava a Ele e a cada minuto da vida que Ele me dava e agradecia ao carinho do meu marido, dos meus filhos, da minha mãe, tia e todos os parentes e amigos que rezavam pela minha recuperação e me visitaram. No fundo eu sentia que o pior havia passado e que em breve iria para casa e teria a minha vida de volta.

Simone Vasconcelos Fator

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