Compaixão 2.1

Em setembro já com dois meses de tratamento com anticoagulantes, uma tia do meu marido compartilhou um vídeo em uma rede social e me marcou para que eu o assistisse.

Era um vídeo onde uma moça que tinha um dos olhos cobertos contava o que havia passado após o uso de anticoncepcional. Ela havia tido um problema grave no cérebro, uma trombose que é uma das reações adversas que os medicamentos hormonais oferecem e aquele depoimento me emocionou muito e me fez lembrar daquela moça do hospital que a fisioterapeuta me contara há meses, inclusive o anticoncepcional mencionado no vídeo era da mesma marca que a moça do hospital.

Chorei ao ver as lágrimas desta moça do vídeo e vi o seu sofrimento e o seu medo, muito parecido com tudo o que eu tinha passado há tão pouco tempo. Num primeiro momento apenas comentei com quem compartilhou o vídeo que estes medicamentos são venenos e que infelizmente muitos não sabem disso.

No mesmo dia assisti novamente e senti vontade de enviar uma mensagem para aquela moça e assim fiz, encaminhando uma mensagem pela rede social à ela e comentei que eu também tinha sido uma vítima do anticoncepcional, mas a doença que tive ocorreu no pulmão e então ela me respondeu dizendo que não era obesa, não tinha casos de trombose na família, não era fumante, repetiu alguns dizeres que ela havia comentado no vídeo e eu respondi dizendo a ela que eu também não tinha estes fatores de risco e que entendia o que ela estava passando. Comentei que o vídeo que ela havia feito estava ótimo, muito bem explicado e que ajudaria muita gente devido ao grande número de visualizações que já obtinha. Em conversa por mensagens ela me sugeriu que eu também fizesse um depoimento contando a minha história para colocar na rede social.

Sempre tive vergonha de me expor, ainda mais na internet e definitivamente fazer um vídeo meu estaria fora de cogitação, mas ao mesmo tempo, pensei no que Jesus faria e me perguntei: Vejo o sofrimento alheio e não faço nada ou faço algo pra ajudar outras pessoas a não passar pelo que passei contando a minha história? Lembrei dos encontros de catequese onde dizia aos meus catequizandos que precisamos rezar e também agir para fazer o bem ao próximo. E agora?

Eu estava muito agradecida a Deus pela minha vida e não poderia decepcioná-lo então sentei  no sofá na sala da minha casa do jeito que eu estava e com o celular na mão comecei a gravar. Falei o que naquele momento me veio a mente.

"Olá, meu nome é Simone, tenho 33 anos e estou fazendo este vídeo para informar e dizer que eu também fui uma vítima de anticoncepcional. Sim, ele quase levou a minha vida!

Com o objetivo de expor o meu caso dentre tantos que estão acontecendo no Brasil para que façam algo, que resolvi por meio de um vídeo visto hoje por mim de outra vítima que também teve tromboembolismo e resolvemos, enfim, nos unirmos para que os casos sejam expostos nas redes sociais para que outras mulheres fiquem alertas, conheçam os problemas e os riscos quando se resolve tomar anticoncepcional.

No meu caso eu já havia tomado outros anticoncepcionais há anos atrás, antes de ter os meus filhos, tive dois e este ano resolvi voltar a tomar. Fui ao ginecologista, ele me prescreveu e depois de quatro meses usando o anticoncepcional (composição drospirenona e etinilestradiol) comecei a me sentir cansada, com pouco de falta de ar ao subir escadas com pouco esforço.

Eu tive uma forte dor de cabeça e neste dia no pronto atendimento de um hospital particular da região onde moro, após o relato do dia e destes outros dias que eu havia me sentido um pouco cansada e ao informar que eu usava anticoncepcional, depois que me perguntaram, investigaram a fundo e descobriram que eu estava com embolia pulmonar.

Fui imediatamente internada, fiquei dois dias na UTI, mais seis dias de internação fazendo exames, tomando medicação necessária com acompanhamento médico, enfim tive a sorte, Deus estava ali junto comigo, porque tive um diagnóstico rápido, fui no momento certo ao hospital onde pude ser tratada e ainda estou em fase de tratamento, tomando anticoagulante, fazendo os exames de sangue periódicos e necessários com acompanhamento do hematologista e pneumologista.

Outros fatores de risco, não tenho, inclusive a pré disposição a tromboembolismo, os exames foram feitos no hospital, os quais apareceram como predominantes no diagnóstico e o único fator possível e confirmado pelos médicos é que foi pelo uso do anticoncepcional,  o qual eu estava tomando.

Então fica o alerta para as pessoas, o meu desejo de melhoras paras as outras mulheres e principalmente para a vítima do vídeo que assisti hoje, que está passando por esta situação um pouco mais recente do que o meu, faz dois meses que eu passei por isso também. Não o mesmo, o dela foi tromboembolismo cerebral e meu foi pulmonar e este alerta é para que outras mulheres tenham acesso as informações e saibam que pode acontecer.

Eu pensei que não aconteceria comigo e infelizmente aconteceu, mas graças a Deus sobrevivi e estou aqui para contar a minha história.

Então ame a sua vida, não tome se não é necessário ou se optar por tomar, converse com o médico, peça que faça exames para que você tome o medicamento de forma tranquila e evitar possíveis casos e que estes casos sejam expostos pelo menos nas redes sociais até que alguma mídia de massa ou a Anvisa pegue essa causa, estude, analise, divulgue para que salvemos a vida de outras mulheres porque várias delas infelizmente não estão mais aqui para contar a sua história porque passaram devido ao uso de anticoncepcionais.

Fica o meu alerta! Um beijo, melhoras para todas vocês e para aquelas que estão saudáveis, continuem assim, só tomem se for extremamente necessário, façam todos os exames!
Até mais, beijo, tchau!"

Postei o vídeo no dia 15 de setembro de 2014 no meu perfil da rede social como público com os seguintes dizeres no corpo do vídeo:

"Eu também fui vítima de anticoncepcional e graças a Deus sobrevivi para contar a minha história. Eu tive TEP (embolia pulmonar) em julho/2014. Estamos juntas nessa luta. Unidas a favor da vida! <3 Compartilhe para alertar e salvar vidas! Caso também seja vítima, publique a sua história."

Naquele mesmo dia comecei a receber muitas mensagens de pessoas que tinham passado pelo mesmo que passei, infelizmente éramos muitas e não sabíamos.

Uma amiga minha que é assessora de imprensa me ligou naquele mesmo dia após ver o meu vídeo e disse que era uma causa importante, sugeriu que eu fizesse uma página na mesma rede social para concentrar os depoimentos e para chamar a atenção da mídia, que conforme ela, tinha certeza de que isso aconteceria.

Comentei por mensagem com a moça do primeiro vídeo sobre a sugestão da minha amiga e naquele momento escrevi pedindo para que ela fizesse uma página na rede social para concentrar todos os depoimentos que estávamos recebendo em nossos perfis, mas não recebi nenhuma resposta.

No dia seguinte fiquei pensando sobre a sugestão da minha amiga e me senti na obrigação de fazer mais alguma coisa pra ajudar e então sentei na frente do computador e resolvi eu mesma criar esta página para concentrar os depoimentos, entrei na página principal da rede social e cliquei em "Criar uma página...", selecionei a opção "causa ou comunidade" e a partir daquele momento tudo começaria a acontecer e eu nem imaginava o imenso mar de sentimentos que eu acabara de mergulhar e até agora só eu e Deus sabemos exatamente o que passamos juntos, pois sim, o Espírito Santo esteve sempre presente neste processo de aprendizado e de amor.

Simone Vasconcelos Fator

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