O fabricante 1.9

Antes mesmo de imaginar o viria pela frente eu fiz o que qualquer cidadão precisa fazer caso venha sofrer alguma reação adversa de qualquer medicamento que usar, mesmo que tenha prescrição médica para o uso, que foi justamente o meu caso.

Fiquei internada no Hospital para tratamento da embolia pulmonar no período de 02/07/2014 à 10/07/2014, sendo oito dias de internação onde os dois primeiros foi na UTI devido a gravidade da doença. Graças a Deus tive alta no dia 10 e pude retornar ao meu lar, à minha família, porém ainda rodeada dos cuidados necessários, pois o tratamento da doença se estenderia por mais seis meses de acordo com os médicos pneumologista e hematologista que continuariam cuidando da minha saúde após a saída do hospital.

Na minha volta a rotina, ainda com medo, que só quem passou por uma situação extrema próxima da morte pode sentir, que aliás senti por um longo tempo, fiquei pensando sobre o que havia acontecido comigo, a ficha estava caindo e sobre os casos parecidos com o meu que ouvi no hospital por parte de funcionários e médicos. Depois de alguns dias resolvi fazer alguma coisa, o mínimo que qualquer cidadão precisa fazer pelo bem comum da sociedade.

Busquei no meu armário a caixa do anticoncepcional que quase me matou para pegar os dados do fabricante e assim fazer a minha reclamação junto ao departamento responsável desta empresa (SAC) afim de comunicá-los sobre o mal que o medicamento produzido por eles fez a mim. Enviei a reclamação ao SAC pelo site do fabricante mencionado na embalagem no dia 18/07/2014 e recebi de forma automática a confirmação do envio da reclamação junto com o número do manifesto para acompanhamento.

A mensagem encaminhada foi a seguinte:

Enviada em: sexta-feira, 18 de julho de 2014 16:53
Para: SAC - .....
Assunto: Fale Conosco 

Nome: Simone Vasconcelos Fator
Sexo: Feminino
E-mail: ......
DDD: ...
Telefone: .......
Assunto: Reclamação
Mensagem: Tive EMBOLIA PULMONAR devido ao uso de (nome do produto), todos os exames necessários para verificar outras causas foram feitos e todos dentro dos padrões normais. Esse anticoncepcional está matando muitas mulheres, eu graças a Deus sobrevivi, mas não ficarei quieta. Na bula, embolia, derrames e trombose estão escritos, como casos raros, mas não é o que eu vi no dia a dia no hospital, muitas mulheres com diagnósticos como o meu, algumas em situações piores, pois ficaram com sequelas graves, devido a uso de anticoncepcionais. As pesquisas devem ser intensificadas para verificar a proporção destes casos, só tenho uma vida, passei ilesa, mas muitas sem informação estão morrendo e outras vivendo com sequelas irreversíveis. O meu relato irá para todas as mídias, blogs, sites afim de informar até que muitas mulheres tomem a decisão de não tomar (nome do produto) e nenhum outro anticoncepcional. Se vocês se importam com vidas, façam corretamente, reavaliem este medicamento, vocês estão matando mulheres jovens, mulheres com filhos, mulheres que teriam uma vida longa pela frente!! Período da minha internação (02/07/2014 à 10/07/2014), sendo os dois primeiros na UTI.
Na mesma semana recebi uma resposta por e-mail pedindo os meus telefones, pois não estavam conseguindo me contactar e queriam entrar em contato comigo e assim fizeram dias depois.

A atendente quando me ligou perguntou o que havia acontecido comigo, como eu estava além de outras perguntas pertinentes ao medicamento, médico que prescreveu o medicamento, CRM, tempo de uso, etc. Comentou que a embolia pulmonar é um evento adverso descrito em bula e que caso haja outro fator associado ele pode ser desenvolvido. Informei a ela que eu não tinha nenhum outro fator de risco inclusive fui avaliada previamente pelo ginecologista que me prescreveu o medicamento e tinha lido a bula antes de iniciar o uso e conforme a mesma eu estaria fora de risco, não havia nada que contraindicasse o medicamento no meu caso.

Ela comentou que os benefícios do medicamento superam os riscos e que na gravidez o risco de desenvolver uma trombose ou embolia pulmonar é muito maior do que o uso do anticoncepcional. Eu rebati dizendo que eu quase morri e que já tinha dois filhos de partos cesarianas e que nada havia acontecido comigo, nenhuma trombose, nenhuma intercorrência, mas o anticoncepcional sim, quase me matou em apenas três meses de uso e que aquela afirmação que ela me passara estava incorreta.

Para finalizar o atendimento, ela perguntou se poderia ajudar em mais alguma coisa e eu disse que queria que pagassem os custos dos medicamentos do meu tratamento que seria realizado ainda por seis meses. A atendente disse que verificaria e retornaria com uma resposta. Eu já sabia qual seria a resposta, mas mesmo assim disse que ficaria aguardando o seu retorno.

Recebi a resposta que eu previa no dia seguinte, não era praxe do laboratório arcar com nenhuma despesa de reações adversas, pois o medicamento é liberado pela ANVISA, os riscos estão descritos na bula e reafirmou que "Os benefícios do medicamento superam os riscos!".

Eu disse a ela que infelizmente os laboratórios pouco se importam com a vida humana e que já sabia que nada fariam em relação ao que havia acontecido comigo. Com a voz elevada disse a ela que eu faria de tudo para informar a verdade sobre os anticoncepcionais para as mulheres, pela internet, redes sociais e comentei que no hospital onde fiquei internada haviam várias vítimas e tinha certeza de que muitas mulheres morreram devido ao uso e isso não poderia ficar assim. Perguntei a ela se este era o primeiro caso de reação adversa grave que ela recebia e ela comentou que não, que já recebeu outros como trombose venosa cerebral e que passam para a farmacovigilância que encaminha os dados para a ANVISA.

Disse a ela que eu mesma enviaria o meu relato a ANVISA e que faria de tudo para mostrar as pessoas que anticoncepcionais podem matar. Agradeci pelo atendimento e disse a ela para não usar o medicamento que eu usei porque ela poderia morrer.

Atenciosamente,

Simone Vasconcelos Fator

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