O começo da luta 2.3


Há certas coisas que são de Deus e por muitas vezes durante a luta pude perceber a presença do Espírito Santo e ver com os meus próprios olhos como Deus é poderoso.

No começo não sabia o que aconteceria, mas algo maior me movia a querer ajudar e sabia que era uma missão que Deus havia me dado e Ele foi tão misericordioso comigo que não poderia decepcioná-lo. Eu tinha medo de enfrentar o mundo, pensava que alguém poderia fazer algo contra mim e a minha família a partir do momento que a verdade sobre os anticoncepcionais fosse mostrada e nunca gostei de mostrar a minha opinião em público, porque temia o julgamento das pessoas, seguia a cartilha até então do politicamente correto.

Conheci algumas pessoas nesta missão e uma delas admirei desde o começo por sua coragem de falar aquilo que pensa e acredita sem medo de críticas e acredito que Deus a escolheu perfeitamente para executar o papel principal dessa história.

No grupo onde as primeiras vítimas foram adicionadas, pude me identificar com o coração de várias, estávamos ali nos unindo por amor ao próximo, cada uma com o seu jeito, mas todas com a mesma pretensão de ajudar.

Estar próxima a estas mulheres e de familiares de vítimas que faleceram foi uma tarefa árdua pra mim, pois o sofrimento delas me envolvia de tal forma que me deixava aos prantos, absorvia tudo, cada depoimento era um pranto muito maior ao que pude sentir na minha própria pele durante a minha internação.

Os primeiros relatos me chocaram muito e por não possuir um certo preparo para lidar com situações e histórias tão chocantes, eu sem querer, muitas vezes me deixava levar pelo desespero.

O primeiro choque tive ao ver uma foto de mulher com uma das pernas amputada até o joelho, era jovem e mãe de duas meninas, havia sido vítima de um anticoncepcional combinado aliada ao tabagismo e este fato era de conhecimento do seu médico ginecologista. Ela teve uma trombose venosa profunda e infelizmente a perna teve que ser amputada para que sua vida fosse salva. Como chorei quando vi aquela foto postada na página, ela deitada em sua cama sem uma das pernas. Ao mesmo tempo que sentia a dor daquela mulher, também aumentava a minha vontade de lutar

Quando recebia relatos dramáticos como o dela, eu ficava pensando nas alternativas que precisávamos encontrar para que isso parasse e durante o banho e nas minhas orações noturnas, momento em que eu estava só, ajoelhava no chão e suplicava a Deus para que me mostrasse um caminho, o que eu precisava fazer para que aquele sofrimento não atingisse outras pessoas.

Alguns dias se passaram e já éramos muitas mulheres no grupo onde conversávamos sobre o andamento da página e durante nossas conversas, colocamos alguns objetivos centrais que deveríamos buscar quando conseguíssemos espaço na mídia:
1) Obrigatoriedade de notificação de reação adversa dos anticoncepcionais por parte dos médicos;
2) Informação clara de todos os métodos contraceptivos, falando sobre os riscos, benefícios e eficácia de cada um deles para que a mulher possa fazer uma escolha consciente dentro do consultório médico;
3) Realização de exames de sangue de genética para verificar trombofilias em todas as mulheres antes da prescrição de medicamentos hormonais;
4) Necessidade de campanhas no país sobre a trombose, seus sintomas e fatores de risco;
5) Informação para os profissionais médicos sobre os riscos dos anticoncepcionais para que o diagnóstico das doenças sejam feitos de forma rápida;
6) Necessidade de pesquisas atuais para avaliar a real segurança dos anticoncepcionais que são comercializados no país;
7) Garantia de que a ANVISA esteja controlando as reações adversas dos anticoncepcionais;
8) Necessidade da venda dos anticoncepcionais com retenção de receita médica;
9) Impressão de RISCO DE TROMBOSE nas embalagens dos medicamentos.

Uma vítima jovem que também era blogueira fez um vídeo sobre o próprio caso onde relatou a sua experiência após ter sofrido um avc devido ao uso de anticoncepcional e que ajudou ainda mais na divulgação da página e muitos outros depoimentos escritos e em vídeo chegavam para aumentar a possibilidade de conseguirmos mostrar tamanho problema na mídia.

O próximo passo era conseguir uma brecha na mídia para mostrar a quantidade de casos que estávamos recebendo na página, precisávamos que alguém fizesse alguma coisa e rápido.

Simone Vasconcelos Fator


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